sábado, 27 de abril de 2013

As razões da paralisação do magistério

Recebi este texto da Secretaria Geral do MST. Achei uma reflexão interessante. Por isso faço a partilha.


As razões da paralisação do magistério
Escrito por Bernardo Caprara
Qui, 25 de Abril de 2013


Se alguém está lendo estas palavras, o trabalho deles esteve presente. Se governantes, jornalistas, empresários ou quaisquer leitores destituídos da preguiça vigente para ler mais do que duas frases estão seguindo adiante, os professores fizeram parte das suas vidas. Penso que os argumentos que justificam a paralisação do magistério público nacional nestes três dias a seguir devem caminhar em duas frentes entrelaçadas, pelo menos: uma política e outra pedagógica.
Do ponto de vista político, paralisar é uma necessidade devido aos desmandos dos governos, relativos ao financiamento e ao desenvolvimento da educação. O fato de que no Rio Grande do Sul, via de exemplo, o piso salarial legal não é aplicado constitui um ponto de luta veemente. As horas-atividades devem ser cumpridas e remuneradas. As escolas demandam professores qualificados e uma dedicada revisão/manutenção das suas estruturas físicas. A carreira pouco atraente, comparada com o mercado de trabalho atual, não faz com que os novos concursados planejem permanecer por bastante tempo. Há a necessidade de que o professorado questione a própria legitimidade incontestável das relações de trabalho que favorecem demais o capital em vez dos trabalhadores. Daí se desdobra uma associação à face pedagógica da coisa.
Os olhos dos nossos alunos ainda exibem esperança. Embora a situação possa ser de uma crueldade desumana, às vezes, ser professor ainda faz sentido. Pululam por aí casos de ótimos profissionais com ótimas histórias para contar sobre experiências pedagógicas satisfatórias.
Porém, através da desencantadora aventura sociológica, percebe-se uma pedagogia de mercado intrínseca aos sistemas de ensino. Muitas pessoas estão agindo baseadas num repertório operacional de disposições que servem como sofisticados simulacros das relações provindas das sarjetas do capitalismo financeiro e da falência da modernidade. A competição, a vitória sem limites, a ganância, o investimento, a especulação, a hierarquia, as relações líquidas, voláteis e efêmeras, o tratamento essencialista dispensado aos discentes e um clima geral de conformismo com as condições da vida social repetem-se como espécies de axiomas dos horizontes da educação em funcionamento no país. À feição de um sintoma reside a máxima de que hoje é melhor ter do que ser (estar, na verdade).
Construir um processo de ensino e aprendizagem envolve, sim, apostar algumas fichas nas especificidades dos conteúdos divididos sob o prisma cartesiano, mas parece carecer com urgência de uma ressignificação do sentido pedagógico hegemônico. O aspecto humano da atuação em sala de aula tem que ser prioridade, afinal, nós lidamos com jovens intensos, múltiplos e heterogêneos, que vivem a sociabilidade dos colégios e das ruas todos os dias. Um conjunto de princípios que vai do respeito à solidariedade nas práticas cotidianas orientariam novos paradigmas proeminentes. Assim como a educação não é uma mercadoria, nós não somos números que se cruzam sem vida.
Vou parar as atividades nestes três dias porque quero continuar a acreditar nos meus estudantes. Vou parar para tentar refletir e repensar as práticas políticas tradicionais e a semântica pedagógica por detrás delas e do universo educacional por inteiro. Pararei porque quero experimentar no espaço e no tempo, vendo nas pessoas possibilidades de estar de alguma maneira acontecendo no porvir. A todo o momento, sem observá-las enquanto essências estáticas, fixas e permanentes demais, carregadas de preconceitos, opressões e individualismos. Importa menos a incompreensão da maioria e os “prejuízos” propagados sem criticidade. A vida está em movimento e nada deve parecer impossível de mudar.
Bernardo Caprara é sociólogo, professor e jornalista.

13 comentários:

Cidinha Oliveira disse...

Texto maravilhoso, Beatriz estamos também indignadas com o término da educação física nos anos iniciais. Nós professores estamos sentindo abandono e descaso e assim muito desânimo para continuar nossos trabalhos. Por que tudo isso está acontecendo? Abraços e parabéns pelo blog

Anônimo disse...

Beatriz, certamente já passou da hora do sindicato olhar a política ( CUT x PT etc) e realmente defender uma categoria que encontra-se a mercê das bestas feras que dirigem o país.Se alguém aí dentro do sindicato almeja uma candidatura (colher os louros pelo sindicato) deve peitar o governador,a secretária da educação,a secretária de planejamento e gestão,deve ter uma excelente consultoria jurídica para que se faça cumprir uma lei que é Federal.Ninguém está reivindicando o impossível,o ilegal.É apenas isso que o sindicato precisa fazer para ser respeitado e ter credibilidade,o resto é balela.Aproveitem agora pra fazer o caldeirão fever a favor da categoria,olha os eventos que serão chamariz de imprensa e aproveitem.Minas Gerais necessita de recuperar a dignidade .

Beatriz Cerqueira disse...

Olá Cidinha!
Também achei o texto muito bom, por isso partilhei. Sobre a disciplina de educação física e ensino religioso nos anos iniciais, participaremos de Audiência Pública promovida pelas Comissões de Educação e de Esportes que discutirá esta questão. A Audiência será nesta terça-feira, dia 30/04. Já combinamos uma concentração as 13 horas na porta da Assembleia Legislativa (entrada da Rua Rodrigues Caldas).
Abraço,
Bia
Bia

Taty disse...

Eu não desisti da profissão,mas desisti do Estado.Essa decisão me fez tomar outros rumos como outros concursos.Prestei e passei.Hoje, graças a Deus não preciso mais do Estado.Eu acredito que um dia esse cenário vai mudar. Acredito na força de todos que trabalham para o Estado.Acredito em revoluções e já esta acontecendo.O movimento esta muito bonito no Estado e tem inspirado muito outros setores.Para mim, se eu sai do Estado nada vai impedir que eu inspire nessa força maravilhosa de vocês.Esta lindooo o movimento!!!

Taty disse...

Eu não desisti da profissão,mas desisti do Estado.Essa decisão me fez tomar outros rumos como outros concursos.Prestei e passei.Hoje, graças a Deus não preciso mais do Estado.Eu acredito que um dia esse cenário vai mudar. Acredito na força de todos que trabalham para o Estado.Acredito em revoluções e já esta acontecendo.O movimento esta muito bonito no Estado e tem inspirado muito outros setores.Para mim, se eu sai do Estado nada vai impedir que eu inspire nessa força maravilhosa de vocês.Esta lindooo o movimento!!!

Taty disse...

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Taty disse...

Eu não desisti da profissão,mas desisti do Estado.Essa decisão me fez tomar outros rumos como outros concursos.Prestei e passei.Hoje, graças a Deus não preciso mais do Estado.Eu acredito que um dia esse cenário vai mudar. Acredito na força de todos que trabalham para o Estado.Acredito em revoluções e já esta acontecendo.O movimento esta muito bonito no Estado e tem inspirado muito outros setores.Para mim, se eu sai do Estado nada vai impedir que eu inspire nessa força maravilhosa de vocês.Esta lindooo o movimento!!!

Anônimo disse...

Beatriz, Boa Noite! Encontramos uma lei do magistério de MG, que dispõe em seu artigo 28 que as nomeações de concursados do magistério têm que ser efetivadas até 120 dias após a homologação, que foi em 15 de Novembro..ou seja, o prazo venceu em 15 de Março. E aí, como ficamos? A lei não deve ser cumprida?
Outra coisa, aqui em Uberaba fizeram algumas designações de CARGO VAGO para Inspetor Escolar...oras, se temos um concurso em vigência, não deveriam os concursados serem nomeados, ao invés de fazer designações? Grande Abraço Bia..força na luta!

Anônimo disse...

Esqueci de postar a lei citada. Segue o link da ALMG: http://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/completa/completa-nova-min.html?tipo=LEI&num=7109&comp=&ano=1977&texto=consolidado

saulim disse...

Ótimo texto, claro e leitura obrigatória para todos... Parabéns Beatriz.

ATT P|rof Saulo Monteiro

Beatriz Cerqueira disse...

Prezada colega de Uberaba,
os cargos vagos devem ser preenchidos por concursados.Isso está na nossa pauta de reivindicação que já foi apresentada ao governo.
Verificarei a lei que você citou.
Um abraço
Beatriz

PATRICIA PEREIRA disse...

Bacana. Ler textos bom como estes nos dao gas para continuar na luta. E possivel vislumbrar uma sociedade mais justa e nos trabalhadores da educacao temos um papel fundamental na construcao dessa nova alternativa.

Anônimo disse...

Beatriz, por favor procure saber mais informações sobre a ADI da lei 100, o processo voltou a andar, o que falta para que ele seja julgado, e qual a previsão para que ele aconteça.