quarta-feira, 28 de março de 2012

O cafezinho nosso de cada dia ou a esquizofrenia da gestão da educação em Minas Gerais

De acordo com estudo do Conselho Nacional de Educação, a conquista da qualidade da educação básica pública passa por vários fatores: condições de trabalho, valorização dos profissionais através de piso e carreira, o aumento de recursos para o seu financiamento, condições de trabalho e a gestão. Minas Gerais tem problemas em todas estas questões.
Como já é de conhecimento da sociedade, o governo de Minas não paga o Piso salarial como vencimento básico inicial de carreia.
A carreira, instrumento de valorização para qualquer profissão, está congelada até dezembro de 2015, impedindo que haja qualquer incentivo pela formação ou tempo de trabalho.
Dados divulgados pelo governo mineiro demonstram que o investimento em educação tem diminuído sistematicamente desde o ano de 2008. Contraditoriamente, o custeio da Secretaria de Estado da Educação aumentou em cerca de 220 milhões, sem o correspondente aumento do número de escolas, profissionais ou projetos.
As condições de trabalho das escolas estaduais podem ser descritas por:
- salas de aula superlotadas;
- organização de turmas multiseriadas onde estudantes de idades e anos diferentes ficam na mesma sala de aula;
- constantes situações de violência no ambiente escolar sem qualquer política preventiva;
- uma única professora é obrigada a responder por até 8 disciplinas diferentes;
- o professor não tem a garantia de 1/3 da sua jornada dedicada a estudo, planejamento e avaliação conforme definido pela lei federal 11.738/08;
- direitos, vantagens e férias-prêmio são ignorados;
- os profissionais trabalharam de graça uma vez que ainda não receberam corretamente pelas reposições feitas;
- projetos são desenvolvidos sem qualquer interlocução com o profissional da educação;
- o tempo do professor é definido sem a sua participação, o currículo da escola é estabelecido por quem não está na escola, não há um referencial político pedagógico.
Todas estas práticas explicitam uma gestão pouco transparente e autoritária. Não há como estabelecer uma boa gestão estando em permanente confronto com os profissionais da educação, ignorando suas reivindicações e sua real condição.
Parece que para o governo do estado estes problemas não existem porque a ordem é fiscalizar o consumo da alimentação escolar feita pelo profissional da educação, recurso que é, na sua quase totalidade, verba federal porque o tesouro estadual não investe em alimentação escolar em Minas Gerais.
O momento da "merenda" é aquela em que saciamos a fome e também encontramos o colega, desabafamos, reclamamos, temos notícia de outra escola, discutimos algum assunto que não veio definido como pauta de uma reunião. Refletir a realidade sempre nos dá condição de elaborar alternativas, de resistir ao que não queremos ou não concordamos. Por isso partilhar o pão é tão perigoso para este governo.

10 comentários:

Rosevania disse...

O governo tem tratado o professor com tanto desprezo e arrogância que me causa enjôo e naúseas...
Este tratamento tem refletido negativamente na qualidade do ensino e na educação dos alunos que têm repetido incesantemente os maus exemplos do governo Anastasia no que diz respeito ao professor...
Que horror estou verdadeiramente decepcinada com a educação em Minas, um desastre!!

Anônimo disse...

Nossa, Bia! Ótimo texto! Reflete a nossa realidade ao mesmo tempo em que denuncia a política falida do PSDB em Minas.
Você só esqueceu de falar que o governo não respeita a vontade da comunidade quando essa escolhe quem irá dirigir a escola. Outro agravante que lança para longe o nosso direito de escola com gestão democrática.

Anônimo disse...

Parabéns pela análise, sistêmica e abrangente. Sou simpatizante das suas idéias.

Anônimo disse...

Tudo que vem acontecendo em nosso estado com relação a educação é absurdamente desumano. Quando é que esse louco vai parar? será que as demais autoridades desse estado estão cegas, surdas e mudas ou são todos iguais?
Beatriz que Deus continue te iluminando.

Anônimo disse...

Beatriz já te enviei essa mensagem, mas depois de ler e refletir,realmente o governo provavelmente vai ter que ter alguém para jogar a culpa de tantos problemas, então pode ser verdade essa reportagem... Por favor procure saber se é realmente verdade
"desgastado após crise na educação, governo aécio/anastasia planeja afastar do cargo a secretária ana lúcia gazzola
Com a popularidade em baixa após a histórica greve dos professores da rede pública estadual, o governo Aécio/Anastasia deve punir a Secretária de Educação Ana Lúcia Gazzola e afastá-la do cargo na reforma administrativa de 2012.

É bom lembrar que durante a greve de professores, Gazzola não fez mais do que defender as diretrizes da política educacional iniciada no governo de Aécio Neves e continuada por Antônio Anastasia.

Ao afastar Ana Lúcia Gazzola do cargo, o Governo de Minas tenta limpar sua imagem junto aos professores e às famílias que dependem da educação pública estadual, deixando nas costas de Gazzola a responsabilidade exclusiva pela crise na Educação.

São os ossos do ofício de um governo hipócrita e covarde como é o Governo de Minas."

Carlos disse...

Beatriz como esse colega postou no blog do Euler acho que você também deveria fazer igual ele está falando
AnônimoMar 24, 2012 12:42 PM
Um dos motivos que se justifica uma intervenção federal em um estado é o fato deste estado não respeitar uma lei federal que é obrigação de todos os estados respeitarem. E acho que este é o caso do estado de Minas Gerais, pois além dos inúmeros outros motivos ainda tem mais este que vou citar agora: Na constituição federal que é uma lei que todos os estados devem ( ou pelo menos deveriam respeitar ) cita que o ingresso no magistério público será feito EXCLUSIVAMENTE por concurso público. Logo por ser uma lei federal imposta a todos os estados os mesmos devem respeitar e promover o ingresso no seu magistério público através de concurso público. E não foi bem isso que Minas fez em 2007 quando elaborou a lei complementar 100/2007 a famosa e polêmica efetivação sem concurso desrespeitando uma lei federal que é imposta a todos os estados. Isto por si só já seria um grande motivo para pedir uma intervenção federal aqui em Minas, coisa esta que o sindute já fez. Porém entre os motivos que o sindute citou no seu pedido de intervenção não consta mais este fato que citei acima e que também é motivo grave. E para piorar ainda mais, a suprema corte do estado já declarou a LC 100/2007 inconstitucional por unanimidade e ainda assim o estado continua aplicando-a como se fosse a mais constitucional das leis, kkkk brincadeira né. Acho que o sindute deveria adicionar mais este exemplo entre os inúmeros que já citou no seu pedido de intervenção, isso reforçaria ainda mais e convenceria melhor os juízes a respeito da necessidade da intervenção.
Gostaria de saber o que você, professor Euler, acha sobre isto?
Lobo Guará Zona da Mata

Eduardo disse...

Beatriz, há também o fato de não haver livros para todos os alunos da escola. Pela primeira vez há livros de filosofia e sociologia, mas eles não existem para todos os alunos. Fiz uma denúncia no site da secretaria e eles tinham 48 horas para dar uma resposta. Já faz mais se uma semana e nada ATÉ AGORA...O protocolo que me deram é:2012008902 e o telefone que apareceu para contato foi (31) 3915-3641. Creio que esse aspecto poderia ser investigado pelo Sind´ute.

Anônimo disse...

Anõnimo Disse...
Fiscalizar nossa merenda !!!!!!!!!!
Que mesquinharia! Muita pobreza de espirito para governar este país.
Não quero merenda,mesmo se fosse boa> Quero é meu PISO que é lei.

Anônimo disse...

Bia, ontem mesmo publiquei um comentario e hoje já nao tem mais?
É dificil fazer um comentario e ser aprovado.Quais as regras?

Anônimo disse...

Bia, a lei sobre a merenda escolar em nenhum momento fala de proibição para os professores. Outra coisa, na lei consta que todo aluno que tiver qualquer problema de saúde terá merenda especial de acordo com sua necessidade.Na minha escola servem bolachinha com leite,outro dia arroz doce,vitamina de banana,suco com bolachinha...só 2 ou no máximo 3 dias por semana tem uma farofa,um arroz temperado com salsicha ou feijão tropeiro.Temos crianças com diabetes que ficam sem merendar ou comem estas merendas.Ah, tem pão com molho e pão doce com suco. Isto é alimento para criança almoçar?Não fiscalizam nada e cobram esta porcaria dos professores.Leia a lei da merenda escolar e cobre na íntegra o que ela diz.É prá eles tomarem vergonha e dar uma merenda decente.Os professores param de merendar mas eles vão ter que gastar muito mais. Por favor fiscalize e denuncie.